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Viajando AtravÉs do alfabeto


Viajando através do alfabeto

A Reading and Writing Program for Intermediate to Advanced Portuguese

Clémence Jouët-Pastré

Patricia Isabel Sobral

Based on Moacyr Scliar's Dicionario do viajante insolito

 

 

2010 • 978-1-58510-344-7 • paper • 200 pages •  7x10  •  $24.95

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 Description                                             

Making use of Dicionario do viajante insolito by Brazilian writer Moacyr Scliar as a point of departure, Viajando aims to help students develop reading comprehension and oral and written comprehension of Portuguese, filling a much needed void as a reader or complementary intermediate text. The book is divided into 26 units (one for each letter of the alphabet) each presents a story or cronica  and  1) pre-reading exercises to encourage students to converse 2) post-reading activities to be done individually or in groups 3) grammar and vocabulary review. Students are also encouraged to write about their own travel experiences, and to reflect on Brazilian culture, as well as American.

 

 Author                                                    

Dr. Sobral was educated in Brazil and the United States. She is undergraduate concentration advisor in Portuguese and Brazilian Studies at Brown University, a member of the Advisory Board of the Writing Fellows Program, and an active member of the Center for Language Studies. Dr. Sobral also leads workshops in Brazil several times a year using the ArtsLit approach for second language acquisition.

Dr. Jouët-Pastré is a Senior Preceptor in Romance Languages and Literatures at Harvard University and undergraduate advisor in Portuguese. She has taught at the University of Campinas, Brazil, where she also received her BA and MA, as well as at Stanford and Princeton Universities. She is the author of many articles on language acquisition and Brazilian culture and cinema. She is the co-author, with Patricia Sobral, of a Portuguese textbook, Ponto De Encontro: Portuguese as a World Language.

 

 Table of Contents                                      

Índice de gramática e estilística

Prefácio

Introdução

A de Aeroporto

Revisão: verbos regulares e irregulares no presente do indicativo

Definição de estilo e de figuras de linguagem

Figuras de linguagem: a metonímia e o polissíndeto

B de Briga

Revisão: verbos regulares e irregulares no imperfeito do indicativo

Figuras de linguagem: a hipérbole e a elipse

C de Cemitérios

Revisão do pretérito perfeito: verbos regulares e irregulares

Revisão: pronomes objeto indireto

Figuras de linguagem: o hipérbato, a elipse e o oxímoro

D de Diversão

Revisão: usos do pretérito perfeito em relação ao pretérito imperfeito

Revisão: pronome objeto direto

Figuras de linguagem: a parataxe e a metagoge

E de Esperteza

Revisão: pronomes indefinidos (algum, nenhum, algo, alguém, ninguém)

Revisão: futuro do pretérito (condicional)

Figuras de linguagem: a pergunta retórica, o hipérbato e a metagoge

F de Frustração

Revisão: verbos reflexivos, pronominais e recíprocos

Figuras de linguagem: a elipse, o paralelismo e o hipérbato

G de Gueixa

Revisão: verbos com alternância vocálica

Revisão: particípio passado

Figuras de linguagem: o eufemismo, a metáfora e a sinédoque

H de Hotéis

Revisão: mais-que-perfeito

Revisão: imperfeito do subjuntivo

Figuras de linguagem: a pergunta retórica, a alusão e a sinédoque

I de Igreja

Revisão: futuro simples

Revisão: diminutivos

Figuras de linguagem: a elipse, a ironia e a hipérbole

J de Jantar

Revisão: pronomes relativos

Figuras de linguagem: a pergunta retórica, a ironia e o hipérbato

K de Kafka

Revisão: por vs. para

Figuras de linguagem: a sinédoque, a elipse e a metagoge

L de Livrarias

Revisão: números cardinais

Revisão: presente do subjuntivo

Figuras de linguagem: a metagoge, o zoomorfismo e a hipérbole

M de Museus

Revisão: voz passiva vs. ativa

Figuras de linguagem: metonímia, a metagoge e a hipérbole

N de Neve

Revisão: infinitivo pessoal

Figuras de linguagem: a sinestesia, a hipérbole e a paraprosdokian

O de Oportunidade

Revisão: superlativo

Figuras de linguagem: a hipérbole, a metagoge e a pergunta retórica

P de Perder-se

Revisão: advérbios

Figuras de linguagem: a elipse, o zoomorfismo e a metagoge

Q de Quando

Revisão: números ordinais

Figuras de linguagem: a antanaclase, a sinestesia e a metonímia

R de Roteiro

Revisão: conjunções adversativas

Figuras de linguagem: o eufemismo, a sinédoque e a metáfora

S de Simbolismo

Revisão: tudo vs. todo

Figuras de linguagem: a pergunta retórica, a sinestesia e a metagoge

T de Turista

Revisão: plural

Figuras de linguagem: a alusão, o hipérbato e o zoomorfismo

U de Urgente

Revisão: o gênero em português

Figuras de linguagem: o hipérbato, a pergunta retórica e o trocadilho

V de Ver

Revisão: crase

Figuras de linguagem: a sinédoque, a ironia, a antonomásia

W de Wunderkammer

Revisão: “fazer” vs. “haver”

Figuras de linguagem: a pergunta retórica, o paralelismo e a metáfora

X de Xadrez

Revisão: imperativo

Figuras de linguagem: a hipérbole, o trocadilho e a metagoge

Y de Yard Sale

Revisão: conjunções coordenativas

Figuras de linguagem: o hipérbato, a hipérbole e a metonímia

Z de Zebra

Revisão: preposições

Figuras de linguagem: o hipérbato, a ironia e o trocadilho

Apêndice I Figuras de linguagem

Apêndice II Reforma ortográfica

Apêndice III Portuguese-English Vocabulary List

Photo Credits

 

 From the Preface                                   

      Este material foi elaborado para alunos de nível intermediário que visam desenvolver a prática da leitura, da produção da fala e da escrita em português como língua estrangeira em um contexto culturalmente relevante. Para levarmos os alunos a atingir essas metas, propomos atividades diversificadas e, ao mesmo tempo, estruturadas e respaldadas em teorias de ensino-aprendizagem atualizadas. Dentre essas atividades, há algumas especialmente importantes como as que trabalham a pré e a pós-leitura e o aprofundamento dos conhecimentos gramaticais e estilísticos.

      Nosso ponto de partida é o livro Dicionário de um viajante insólito do aclamado escritor brasileiro contemporâneo Moacyr Scliar. A escolha desse livro foi feita com base na premissa de que textos inteligentes e provocadores motivam os alunos a participarem efetivamente de discussões e debates das mais variadas naturezas. Outra razão importante para nossa escolha está diretamente relacionada ao fato de que Scliar faz múltiplas comparações entre a cultura brasileira e diversas outras com as quais se depara durante suas viagens. Ora, como bem sabemos, ao falarmos da cultura do "outro" estamos sempre falando muito sobre a nossa. Ao fazer essas comparações, Scliar não apenas revela aspectos às vezes um tanto sutis da cultura brasileira, mas também provoca e pode até mesmo deixar perplexo, por exemplo, "um olhar americano". A sensação de perplexidade certamente também estimulará um desejo de debater e discutir. Essas discussões, que procuramos incentivar o tempo todo, têm dois objetivos principais. O primeiro é fazer com que os alunos dêem suas opiniões em português sobre assuntos relevantes. O segundo é fornecer instrumentos para que os alunos desenvolvam textos coerentes, coesos e gramaticalmente corretos. Tal objetivo pode ser perfeitamente atingível depois da intensa prática do discurso argumentativo oral, baseada nos textos de Scliar. A leitura e o debate da produção de Scliar, aliados aos exercícios e explicações gramaticais e estilísticos, certamente prepararão os alunos para escrever textos bem construídos na língua alvo.

      Como em todo campo de estudos, há muita divergência na área de Ensino-Aprendizagem de Línguas Estrangeiras e em Educação em geral. No entanto, há algumas pouquíssimas premissas aceitas quase que com unanimidade. Uma delas é que "novas informações, novos conceitos, novas idéias só fazem sentido para um indivíduo quando podem ser relacionados com algo que este já conhece" (Kant citado em Carrell, 1984: 332). É nessa premissa que calcamos nosso trabalho. O título do livro de Scliar já revela muito do substrato teórico que embasa nossa produção de materiais dirigidos ao desenvolvimento do Português como Língua Estrangeira. Haveria algo mais relevante do que um dicionário para quem está aprendendo uma língua estrangeira? E quais seriam os principais motivos para se aprender uma língua estrangeira? Se fizéssemos essa pergunta a um enorme contingente de pessoas, provavelmente teríamos uma enorme lista de respostas. Mas a possibilidade e o desejo de viajar seriam, com toda a certeza, um objetivo amplamente citado. Além disso, com o desenvolvimento dos meios de transporte, as possibilidades de fazer viagens tornaram-se muito mais acessíveis para a população em geral. E "insólito", como essa palavra um tanto incomum poderia estar relacionada ao conhecimento prévio de um aprendiz de línguas estrangeiras? Ora, bem sabemos que com a globalização e a crescente massificação em praticamente todos os setores da vida pública, o desejo de se destacar, de ser diferente torna-se cada vez mais forte na população. Portanto, ainda que o aluno não conheça a palavra "insólito", as chances são muito grandes de que conheça seu sentido e de que até mesmo se identifique profundamente com ele.

      O livro de Scliar é muito mais do que um simples dicionário. Na verdade, trata-se de uma coleção de crônicas concisas e elegantes que aborda questões que giram em torno de uma prática que sempre fascinou a humanidade: as viagens. Cada uma das crônicas tem em seu título uma das letras do alfabeto em destaque. Portanto, vem daí o nome "Dicionário", ou seja, as crônicas são construídas e organizadas como se fossem verbetes de um dicionário de viagens.

      Dividimos o presente trabalho em vinte e seis capítulos, ou seja, um para cada letra do alfabeto. Além disso, escrevemos uma introdução cujo objetivo é familiarizar o aluno não somente com o texto de Scliar, mas também apresentá-lo a nossa metodologia de trabalho. Cada um de nossos capítulos começa com uma, ou às vezes mais de uma, atividade de pré-leitura a fim de preparar o aluno para abordar a crônica de Scliar tanto do ponto de vista de conhecimento de mundo quanto do ponto de vista lingüístico e estilístico. Esta primeira parte é, em geral, feita oralmente, com todo o grupo-classe, sob a liderança direta do professor e preferencialmente na aula anterior à leitura da crônica em questão. Depois de feita a leitura do texto, há uma série de exercícios de interpretação, compreensão e pequenas tarefas a serem realizados em pares ou pequenos grupos. A terceira parte tem como objetivo desenvolver um trabalho mais aprofundado e sofisticado com a linguagem. Como o objetivo principal do livro é desenvolver a leitura e a escrita e não ser um manual de gramática, apresentamos apenas revisões sucintas de pontos gramaticais salientes na crônica abordada no capítulo. Em seguida, oferecemos exercícios de gramática ancorados na crônica e, portanto, totalmente contextualizados. Fechando a parte do tratamento lingüístico-retórico, propomos exercícios de vocabulário e de estilo. Esta parte pode ser feita tanto de modo individual quanto coletivo. Muitas vezes o professor pode conduzir o trabalho de modo a pedir que os alunos preparem parte dos exercícios individualmente e parte deles coletivamente. Trata-se, portanto, de uma abordagem bastante flexível. Sugerimos, porém, que sempre haja comentários orais para todo o grupo-classe. Outra sugestão é que o professor apresente, quando for possível, mais de um ponto de vista sobre tudo o que for ambíguo ou digno de debate. Acreditamos que o aluno escreverá textos mais criativos através da prática do debate e da apresentação de várias interpretações tanto de texto como de exercícios lingüísticos e/ou de estilo. Para culminar o minucioso trabalho desenvolvido ao longo do capítulo, propomos que os alunos escrevam seus próprios relatos de viagem, reais ou imaginárias, com base na letra do alfabeto em torno da qual Scliar constrói sua crônica.

      Uma sugestão final, é que o professor insista desde o princípio que os alunos estão escrevendo um livro e não apenas uma mera coleção de redações cujos temas são completamente independentes. Portanto, uma idéia seria "construir", logo após a primeira letra, uma capa para o livro. Esta capa poderá ser feita de material reciclável: uma simples folha de papelão em que os alunos colocarão seus nomes e um título provisório para o livro. Conforme o processo for se desenrolando ao longo do semestre, os alunos poderão mudar o título dos livros e personalizar as capas com colagens, pinturas, etc. Ao final do semestre, seguindo a tradição da boa literatura de cordel, os alunos poderão literalmente pendurar seus livros em um longo barbante que passará por toda a sala de aula. Os colegas da turma poderão examinar os diversos livros e cada um deles escolherá um deles. Finalmente, cada aluno lerá em voz alta uma das crônicas de um dos colegas.

      A guisa de conclusão, Viajando através do alfabeto é um convite a todos para visitar o Brasil e outros espaços geográficos e tornar-se mais proficientes em português através dessa imersão cultural. Exatamente como em um dicionário, as possibilidades são vastas e as combinações sobre o que fazer com esse livro didático parecem infinitas.

 

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